A conquista da independência na terapia
Dada a nossa fragilidade ao nascer, todo ser humano tem um certo grau de dependência, e o conservamos ao longo da infância, da adolescência, e, de modo reduzido, com o passar da vida adulta, até quando novamente precisamos de mais ajuda ao nos tornamos idosos.
Quando um cliente procura um psicólogo, ele está em busca de um suposto saber que possa ajudá-lo a enfrentar uma situação que lhe traz algum sofrimento psíquico. Em um estágio inicial, a dependência na terapia é saudável, pois remete à relação de confiança com os pais ou cuidadores, o que tende a se refletir como boa ou má, adequada ou excessiva, acatadora ou desafiadora, entre outras características de acordo com a história de vida de cada um. Nesse período do tratamento, a dependência também é importante para se estabelecer a transferência entre cliente e profissional em uma análise ou em uma terapia analítica.
Contudo, com o passar das sessões, um dos objetivos do trabalho é romper a dependência da relação cliente-psicólogo, desfazer algumas barreiras do supereu, confrontar os pensamentos autocríticos exagerados e sabotadores, a vitimização excessiva, o comportamento conflituoso, a sensação de incapacidade, entre outros, além de fortalecer a tomada de decisões e a confiança em si por meio do autoconhecimento.
É dever ético do psicólogo comprometido com o seu cliente trabalhar para vê-lo seguir adiante com o resultado do crescimento alcançado no processo terapêutico sem que haja mais necessidade de intervenção profissional. Então, em um estágio avançado, o cliente conquista a independência ao ter o seu eu fortalecido para seguir a sua vida com mais qualidade e bem-estar.


Comentários
Postar um comentário