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Mostrando postagens de 2016

Tristeza e depressão

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No anseio por procurar a felicidade, muitas pessoas não suportam o sentimento de tristeza, mesmo quando ocasional. Sentir-se triste não é sinal da instalação de uma doença, mas de um sentimento comum a todos os seres humanos. Assim como não podemos ter prazer sempre, também não podemos evitar todas as dores e tristezas que nos atingem. Em um período histórico em que a medicalização vem se apresentando como uma salvação para muitos problemas médicos, temos a ilusão de que drogas psicotrópicas também podem nos curar. Contudo, por mais que o tratamento medicamentoso seja importante em muitos casos, quando se trata de um problema psicológico, os medicamentos – em grande parte – agem sobre os sintomas, amenizando os efeitos, mas não tratando as causas daquilo que gera o sofrimento. Como afirmado anteriormente, a tristeza é um dos sentimentos que acomete o ser humano. Às vezes nos sentimos tristes, enlutados, insatisfeitos, abatidos, pouco atraentes, etc. Em alguns momentos ...

Vícios e adições

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Ouvimos desde os filósofos da Grécia Antiga que o caminho do meio e a moderação são as vias para uma vida mais equilibrada e saudável. Por mais que a sociedade tenha mudado nos três últimos milênios, essa premissa continua verdadeira. Comumente, o excesso e o desequilíbrio levam a vícios e adições que se tornam verdadeiras prisões para as pessoas. Contudo, nem sempre elas enxergam o seu próprio problema – ou, como estratégia para lidar com a angústia, tentam minimizá-lo. Os vícios e as adições das mais variadas formas têm relação com a angústia de desamparo, que surge na primeira infância, quando o bebê, sem condições de garantir a própria sobrevivência por conta própria, se sente abandonado na ausência da mãe ao sentir frio e fome. Em nossa mente, o inconsciente não tem tempo, por isso o que sentimos quando criança retorna de outra forma na adultez, porém de maneira distinta. O desamparo, esse primitivo medo da morte, que não é mais preenchido por uma mãe zelosa e nut...

Os rótulos prejudicam as pessoas

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Quando uma criança ouve dos pais ou dos cuidadores ou dos professores, que ela faz tudo errado ou que é uma desastrada, por exemplo, é bastante comum que ela venha a acreditar nisso como uma verdade, uma vez que foi proferido por uma figura de autoridade ou de respeito que (supostamente) sabe mais do que ela. Ao ser rotulada, a criança incorpora essa característica de tal modo em seu psiquismo, que vai sendo limitada em seu agir pelo rótulo que lhe foi imposto. Aqueles que são chamados de "burros" na infância, por exemplo, costumam acreditar que são realmente incapazes de aprender algo, quando, muitas vezes, o método ou o estímulo não é adequado. Pais impacientes, cobradores e controladores tendem a criar filhos inseguros e com baixa autoestima. Como o psiquismo está em formação nos primeiros anos de vida, e essas crianças crescem, ao se tornarem adultos as crenças nos rótulos seguem as perseguindo. É como se tivessem sido marcadas pela fala negativa do outro -- e iss...

A impossibilidade de uma autoanálise

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O auxílio profissional é fundamental para quem procura ajuda psicológica. Embora a autoavaliação e auto-observação sejam importantes para a mudança de pensamentos e de comportamentos, elas, tão somente, não são suficientes para provocar alterações significativas no psiquismo. A impossibilidade de alguém realizar uma autoanálise decorre da presença de rígidas resistências que agem no inconsciente. Todos temos algum(uns) pequeno(os) ou grande(es) segredo(os) que não queremos contar a ninguém (nem a nós mesmos). Ao nos recursarmos a reconhecer alguns dos nossos pensamentos e ações mais negativos, indecorosos ou destrutivos, estamos fugindo de uma análise profunda de nós mesmos. Quando, conscientemente, os evitamos, os sonhos e os atos falhos da fala revelam o que o inconsciente não consegue esconder. Não existe possibilidade de mudança e de melhora se não enfrentarmos os nossos próprios "demônios". Embora tenhamos a ilusão de que temos o controle consciente da nossa vida...

A conquista da independência na terapia

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Dada a nossa fragilidade ao nascer, todo ser humano tem um certo grau de dependência, e o conservamos ao longo da infância, da adolescência, e, de modo reduzido, com o passar da vida adulta, até quando novamente precisamos de mais ajuda ao nos tornamos idosos. Quando um cliente procura um psicólogo, ele está em busca de um suposto saber que possa ajudá-lo a enfrentar uma situação que lhe traz algum sofrimento psíquico. Em um estágio inicial, a dependência na terapia é saudável, pois remete à relação de confiança com os pais ou cuidadores, o que tende a se refletir como boa ou má, adequada ou excessiva, acatadora ou desafiadora, entre outras características de acordo com a história de vida de cada um. Nesse período do tratamento, a dependência também é importante para se estabelecer a transferência entre cliente e profissional em uma análise ou em uma terapia analítica. Contudo, com o passar das sessões, um dos objetivos do trabalho é romper a dependência da relação cliente-psic...

Psicólogo ou psiquiatra?

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É bastante comum a dúvida entre aqueles que querem iniciar um processo terapêutico: "devo procurar a ajuda de um psicólogo ou a de um psiquiatra?" A resposta depende do que se quer tratar e de quais são os objetivos a serem alcançados. A formação desses profissionais é bastante distinta, portanto um pode ser mais adequado para determinados casos, mas nem tanto para outros. E vice-versa. O psicólogo é o profissional formado por uma faculdade de psicologia, que tem duração média de 5 anos, habilitado para exercer as suas funções em diferentes ambientes: na área clínica (psicoterapia em suas diversas modalidades); no campo organizacional (em empresas); no âmbito hospitalar (como parte de uma equipe multidisciplinar); na aplicação de testes psicológicos; no ambiente escolar; no campo jurídico; entre outras. Por não ser médico, o psicólogo não pode prescrever nenhum tipo de medicação. O psiquiatra é o profissional graduado em medicina com especialização em uma instituiçã...

Por que procurar a ajuda de um psicólogo?

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Foi-se o tempo em que o termo "paciente" era adequado para aquele que procurava por uma psicoterapia. Atualmente, o cliente que ingressa em um consultório em busca de ajuda psicológica precisa ser um "atuante". Aqueles que procuram a ajuda de um psicólogo devem atuar junto ao profissional, e também entender que podem ser melhores do que são; perceber que podem ser melhores do que têm sido. Mesmo um gatinho acuado pode descobrir um leão dentro de si, mas para isso é preciso humildade para admitir a necessidade de ajuda, além de coragem para buscá-la independentemente do que possam pensar os outros. Em meu trabalho ofereço ao cliente novas possibilidades de interpretação do conteúdo trazido, e que não seriam perceptíveis sem a minha intervenção profissional. A fala em si, ao expor o que se pensa em voz alta, já escapa das armadilhas do pensar circular que apenas alimenta falsas certezas e, por vezes, ideias persecutórias ou autodepreciativas. Diferente de ...