Vícios e adições
Ouvimos desde os filósofos da Grécia Antiga que o caminho do meio e a moderação são as vias para uma vida mais equilibrada e saudável. Por mais que a sociedade tenha mudado nos três últimos milênios, essa premissa continua verdadeira.
Comumente, o excesso
e o desequilíbrio levam a vícios e adições que se tornam
verdadeiras prisões para as pessoas. Contudo, nem sempre elas
enxergam o seu próprio problema – ou, como estratégia para lidar
com a angústia, tentam minimizá-lo.
Os vícios e as
adições das mais variadas formas têm relação com a angústia de
desamparo, que surge na primeira infância, quando o bebê, sem
condições de garantir a própria sobrevivência por conta própria,
se sente abandonado na ausência da mãe ao sentir frio e fome. Em
nossa mente, o inconsciente não tem tempo, por isso o que sentimos
quando criança retorna de outra forma na adultez, porém de maneira
distinta. O desamparo, esse primitivo medo da morte, que não é mais
preenchido por uma mãe zelosa e nutridora, é amainado por algo que
ocupe o lugar de uma falta. Por isso, ao buscar substâncias lícitas
ou ilícitas, comida, parceiros sexuais, atividades liberadoras de
adrenalina por meio de práticas esportivas ou de dopamina por jogos
eletrônicos de forma compulsiva, por exemplo, o que se procura é
lidar com uma ânsia para preencher um vazio – o enorme buraco da
solidão.
O uso de substâncias
por uma pessoa com baixa autoestima a faz se perceber mais poderosa
ou distanciada da realidade que lhe é tão difícil de suportar.
Contudo, ao procurar essa “solução” para lidar com as
dificuldades da vida, o adicto ou quem adquire um vício encontra
outro problema. Além de não agir diretamente sobre a realidade que
o oprime, ainda se introduz em uma vida de hábitos nocivos e
autodestrutivos.
O círculo vicioso
de uma compulsão pode ser desfeito se o sujeito procurar ajuda
profissional e reconhecer e assumir a sua parcela de responsabilidade
por suas ações. O esforço para uma melhora requer que a pessoa
realize mudanças verdadeiras em seu modo de pensar e agir.


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